Michel Temer subiu no Telhado

Como o gato da anedota do português, o presidente Michel Temer subiu no telhado. Desde anteontem, aliás, quando a Polícia Federal divulgou o resultado da perícia nas fitas da sua conversa com o empresário Joesley Batista, hoje nacionalmente conhecido como safadão. E no telhado ele tenta, com suas garras afiadas, se aboletar pelo tempo que for possível, embora não desconheça a inevitabilidade da queda.

Com uma carga de culpas evidentes e documentadas, que não deixam margem a dúvidas, o presidente optou pela estratégia de dizer que o céu é cor-de-abóbora, mesmo quando todos estão vendo que é azul. A sua fala à nação ontem, com toda a pompa e circunstância possível e cercado por todos os puxa-sacos que foi capaz de reunir, foi o canto de um cisne rouco e desafinado. Negando a verdade, voltou a mentir publicamente aos brasileiros.

Já havia mentido antes, em várias oportunidades, sendo uma das principais quando afirmou que só recebera Joesley no Jaburu por acreditar que ele queria falar sobre a operação Carne Fraca - a qual, no entanto, só viria a ser deflagrada mais de uma semana depois do encontro entre o presidente e o dono da JBS. Essa mentira - mais do que isso, o fato de mentir - já tiraria um presidente do cargo na maioria dos países civilizados. Um presidente não mente, não pode mentir.

Mas Michel Temer, ontem, de cima do telhado, fez-se personagem principal de um roteiro circense, no qual, com invejável cara de pau, contrariou o óbvio, adotando a estratégia do advogado de porta de cadeia que tenta fazer do criminoso a vítima. No caso presente, a tática da mentira é simplesmente chover no molhado. Se bom senso e um mínimo de compostura tivesse, o presidente renunciaria ao cargo, daria um freio de arrumação na crise e permitiria que a democracia e a sociedade brasileiras pudessem tentar definir o melhor caminho para o país.

Enfim, deram o flagrante no presidente, indiciaram-no em crime de corrupção. Só falta a página final da anedota e passar o telegrama para o português: Temer caiu do telhado.

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